Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

A Maçon

1997

A AmçonA sua peça para teatro (A Maçon) procura um tempo mais remoto, os primeiros anos da ditadura, para retratar a condição feminina imposta pela ideologia do Estado Novo e a perda de liberdades (também) por parte das mulheres.
A obra que em seguida vem a lume, A Maçon (1997) é até hoje a única peça de teatro escrita por Lídia Jorge. Trata-se de um projecto originalmente concebido para televisão em 1988-89, mas que nunca chegou a ser realizado. Lídia Jorge adaptou-a ao palco. A obra foca a vida de Adelaide Cadete, uma das principais figuras do feminismo português das primeiras décadas do século XX. De origem humilde, formou-se em medicina e tornou-se numa influente republicana e membro da maçonaria, graças a um marido que a apoiou. A peça mostra-a numa viragem da sua vida, quando em 1929 deixa Portugal e parte de barco para um exílio angolano, com o seu sobrinho e filho adoptivo Arnaldo. Face à incompreensão, ou pior ainda, à crescente oposição manifestada perante ideais pelos quais pugnara, Adelaide Cabete expressa o seu desencanto por um país onde Salazar começara a sua ascensão ao poder. Durante a viagem marítima, refugia-se progressivamente na recordação de um mundo de sonhos passado. 
   
 Na dramática cena final, Arnaldo junta-se-lhe no seu delírio. Em termos imbólicos, a cena equivale a uma separação irreversível de todos os companheiros de viagem. Assim, são ambos envoltos num lençol branco pela namorada de Arnaldo, que informa o público de que irá casar-se com outro e viver uma vida convencional, dentro dos parâmetros estabelecidos pelo regime salazarista, embora de facto Arnaldo sobreviva.Dado que Adelaide Cadete conseguiu chegar, em perfeita segurança, a Angola, onde continuou a praticar medicina até ao seu regresso a Portugal em 1934, é evidente que Lídia Jorge distorceu a verdade histórica. A distorção serve para sublinhar a posição dissidente de Adelaide Cadete, com o intuito de valorizar não apenas o seu heroísmo de mulher revolucionária, como também a sua visão de igualdade e cooperação entre os sexos. Na mente do leitor/espectador permanece assim, acima de tudo, a sua mensagem final acerca da necessidade e méritos do não-conformismo.

Publicado por Adriana às 15:48

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