Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

O Vento Assobiando nas Gruas

2002

O Vento Assoboando nas GruasA acção de "O Vento Assobiando nas Gruas" decorre em Portugal, e conta a história de amor entre uma jovem portuguesa e um africano, num ambiente caract erizado por um racismo latente.
Neste livro, Lídia Jorge regressa à vila fictícia  de Valmares, onde se passa  acção da narrativa , balanceada entre dois mundos: um mais distante, centrado  na história de uma velha fábrica que se cruza com uma família recém-chegada de África, e um contemporâneo, representado nas gruas, símbolo da transformação da paisagem algarvia dos dias de hoje. Ligando estes antípodas está a personagem principal, Milene Leandro – seguindo-a, conhecemos um caso de amor, um crime e um silêncio para sempre selado.
A avó Regina Leandro fugiu do hospital, tendo sido mais tarde encontrada morta em frente à entrada da velha fábrica de conservas de Valmares. Milene, a neta que vivia com ela, é a única a estar presente para organizar o funeral, pois os restantes parentes encontram-se de férias. Milene, uma pessoa um tanto simples de espírito, tenta encontrar as palavras certas para descrever a morte da sua avó aos outros familiares. A família Leandro, as tias e tios de Milene, pertencente à abastada classe alta, está resolvida a assegurar que a sua reputação não é manchada pela morte solitária da velha mulher; todo o tipo de interesses têm de ser defendidos, políticos e financeiros. A fábrica, alugada e habitada por uma numerosa família cabo-verdiana, está para ser vendida; o sítio próximo da praia está idealmente localizado para um moderno projecto de construção. No entanto, existe a família cabo-verdiana da idosa Ana Mata, que recebe cordialmente no seu seio uma Milene totalmente esgotada pelos acontecimentos que rodeiam a morte da avó. Uma tímida relação desenvolve-se entre Milene e o neto de Ana Mata, Antonio, viúvo mas jovem, condutor de uma grua e pai de duas crianças. Quando a família Leandro descobre finalmente esta relação, fica horrorizada.
Finalmente, um empresário holandês com actividades internacionais compra a antiga fábrica, Milene pode casar com Antonio e a família Mata recebe acomodação numa nova área residencial. Mas, até as coisas chegarem a este termo, vários obstáculos têm de ser ultrapassados, e é isto que sustenta a tensão do romance. No final, no casamento de Milene, o seu primo favorito, que chega dos EUA, suspeita que os obstáculos não foram eliminados da forma mais apropriada. Tudo está bem quando acaba bem, ou assim parece ser – ambos os mundos sobrevivem, e a era moderna pode enraizar-se em Valmares.
A atmosfera do romance é colorida pela visão sem preconceitos de Milene em relação às pessoas e acontecimentos. Vista pelos seus parentes como a pobre criança órfã, na grande restrição do seu pequeno mundo, e em toda a sua inocência, Milene dispõe de grande calor humano e coragem.


Regressamos a Valmares, a terra ao Sul. Espera-nos o pó das estradas esburacadas, a sombra das árvores, flores perfumadas. O calor do verão, o suor, o murmúrio das ondas. Valmares apela a todos os nossos sentidos, numa completa concentração no lugar. Para testemunhar a mudança, e as resistências sociais ao que lhe é diferente.

  • GRUAS - A terra é revolvida, modificada. As gruas são instrumentos de aproximação ao futuro. Símbolos da transformação operada no mundo, que não continuará a ser o que conhecemos.
  • VENTO - Uma mulher criança, de 34 anos, a quem a esquizofrenia faz manter a inocência. Um desejo constante de não falar a dor, para não a aumentar. Uma casa enorme, povoada de memórias e de ausências. A paixão que surge, avassaladora, entre a rapariga e um homem de outra raça.
  • ASSOBIANDO - A aceitação, condicionada, não olha a meios: invade, elimina, castra. A intolerância ocultada, mas dominadora. A revolta em relação ao silêncio de uma aceitação hipócrita que não se coíbe de violar, de trair a confiança., Um apelo contínuo vai ecoando em gravadores de mensagens inconsequentes. Um crime que é silenciado.


Um livro intenso, envolvente, que combina a inocência, a paixão e a doçura, com traição, intolerância e perda.

Publicações D.Quixote
Artigo de Clúdia Pazos Alonso neste Blog
NovaCultura - Resenha de Belém Barbosa

Publicado por Marta às 16:59

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