Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Jardim sem limites

1995

Jardim sem limitesO Jardim Sem Limites, onde à pequena aldeia de Vilamaninhos, que simbolizava no seu primeiro romance o Portugal pequenino e arcaico, se substitui Lisboa, a metrópole europeia onde se cruzam todas as influências e se rarefazem identidades e territórios.
O romance seguinte de Lídia Jorge, O Jardim sem Limites (1995), prosseguindo embora com a construção de uma narrativa na primeira pessoa, desloca a sua atenção pela primeira vez para uma geração mais nova, a geração nascida após a revolução. O romance lida com as enormes mudanças que ocorreram no modo de vida da nação e na sua visão do mundo. Factores como a modernização, a entrada na União Europeia, e um novo culto da imagem, contribuíram para a sensação de um vazio fin-de-siècle, particularmente, entre a juventude urbana.Em O Jardim sem Limites, a voz narrativa pertence a uma escritora de quem não sabemos o nome, que está a escrever um romance. Quando esta se instala num quarto de pensão, na Casa de Arara, conhece um grupo de jovens que se encontram todos eles a viver fora de casa dos pais. Esta situação, relativamente pouco comum na sociedade portuguesa, permite tecer uma reflexão acerca do processo de alienação dos mais novos em relação às gerações mais velhas. Falcão, uma das personagens masculinas, espécie de espelho invertido da narradora, está a tentar construir um guião cinematográfico. Encontra inspiração ao filmar Leonardo que, espicaçado pela sua ambiciosa namorada Pauline, faz de homem estátua («static man» – em inglês no original) numa das principais praças lisboetas durante períodos cada vez mais longos, numa tentativa de bater o recorde de imobilidade. No final, Leonardo consegue bater o recorde mundial mas morre entretanto, deixando uma interrogação angustiante sobre o vazio dos ideais perseguidos pela nova geração.A questão colocada na obra é, afinal, a da responsabilidade ética e cívica, já que várias personagens são levadas ao suicídio pelas suas tentativas erróneas de atingir a perfeição como é o caso de Leonardo, ou, ainda, de Susana Marina, a rapariga gorda que quer ter um corpo de estrela semelhante ao de Maria de Medeiros. Embora a narradora declare que não é culpada e que se limitou a testemunhar os acontecimentos por pura curiosidade intelectual, Lídia Jorge demonstra que o distanciamento e a retirada para uma imaginária torre de marfim são manobras ilusórias. De facto, no final do romance, os três jovens que restam (Paulina, Falcão e Gamito) juntam-se na cama da narradora, numa tentativa de exorcizar a solidão e o medo, demonstrando, deste modo, que o envolvimento desta é maior do que ela está disposta a admitir.

Publicado por caetana às 15:38

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